Grupos de Entreajuda na Procura de Emprego – Testemunho Gepeana Ana Candeias

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O que foi para mim o GEPE?

A nossa vida muda quando decidimos mudar e essa é a tendência perto dos 40 anos de idade… dizem. Não fui exceção e aos 42 anos resolvi que não estava nada feliz no emprego que tinha e aproveitei uma grande revolução no mercado dos estudos de mercado para sair…. e preparei-me para o desemprego. Fiz escolhas, tomei decisões, ouvi familiares e amigos. Passei a ser uma pessoa muito mais feliz.

Quando há meses decidi voltar ao mercado de trabalho, percebi que talvez não estivesse a fazer as coisas da maneira certa. Criei rotinas, respondi a anúncios de trabalho, esperei por respostas e entrevistas, mas ao fim de alguns meses o resultado era zero.
Resolvi então pesquisar na internet sobre a procura ativa de emprego e por grupos de auto ajuda e encontrei o site do GEPE. Entrei em pânico… mas a tempo.

Inscrevi-me e fui contactada para participar. Fui a uma reunião de apresentação do Projeto em Lisboa e, por pura sorte minha, começava, logo daí a dias, a semana de formação intensiva “História do Futuro”.

Não perdi tempo e fui. Com grandes expectativas e em boa hora, porque de facto, essa formação mudou mesmo a minha vida.
Tudo que aprendera em mais de 20 anos no mercado de trabalho foi desconstruído. A maior parte das coisas que tinha como certas na minha cabeça, não estavam mais. O meu CV estava desatualizado, os empregadores usam agora outras técnicas de recrutamento, têm outras necessidades. Ou seja, estava completamente fora da realidade.

Moro no Montijo e, como foi tudo bastante rápido, apenas fui a uma reunião no GEPE de Alhos Vedros. Com o que aprendi, mudei o meu CV, pedi referências e cartas de recomendação a antigos chefes e… milagre.

Comecei a ser chamada para entrevistas. Duas semanas depois estava a trabalhar. Coincidência? Acho que não.

A equipa do GEPE

Na “História do Futuro” encontrei formadores extraordinários que nos deram tempo do seu tempo para nos incentivar a procurar o nosso futuro. Com ferramentas tão importantes como gerir o meu tempo, o que fazer no desemprego, como procurar emprego, como fazer o CV, como me preparar para uma entrevista, como me vestir, como conquistar oportunidades e muito, muito mais.

Encontrei no IPAV, colegas cheios de sonhos, ideias, talentos e vontades. Encontrei uma vizinha J (a Judite) que só conheci em Lisboa e que me apresentou o GEPE de Alhos Vedros. Nunca mais esquecerei a canção com música do Ruben e a Letra da Nela, feita propositadamente para este grupo.

Em Alhos Vedros encontrei uma equipa fantástica que luta por cumprir os sonhos de um grupo tão heterogéneo de desempregados. Tão diferentes, mas com objetivo comum por cumprir: arranjar emprego.
Encontrei uma equipa que encontra sempre a palavra certa, que não se cansa de procurar soluções, por mais obstáculos que existam. Que encaminha. Que ajuda.

Na Cristina Carita e na Brenda Xisto, encontrei dois “anjos da guarda” que fazem da sua profissão a missão de uma vida: ajudar os outros.

Pontos fortes do GEPE

No GEPE aprendemos que estamos no desemprego mas que a culpa não é nossa! O GEPE é o porto de abrigo para quem quer arranjar emprego. É a obrigação de sair de casa. É a capacidade de agir. Numa altura de crise económica, social, estrutural tão grave o GEPE é, talvez para muitos, a única oportunidade de discernimento, a única porta amiga. A única solução para não entrar em depressão, quando nem familiares e amigos não estão com os nossos sapatos calçados porque estão a viver as suas vidas. E é gratuito.
Sendo o desemprego um dos principais flagelos da atualidade, no GEPE somos obrigados a pensar no que queremos para a nossa vida, para o nosso futuro e isso, garantidamente, é o passo mais difícil de se dar.

No GEPE ninguém nos dá de comer…. Ensinam-nos a pescar!

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